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Buraco Branco White Hole

2019, Videoinstalação Video installation

Carvão triturado, cova, grama, lona, pirâmide de ferro, projeção mapeada
Crushed charcoal, grave, grass, canvas, iron pyramid, mapped projection

Em Buraco Branco, projeto uma foto da gata Leni em uma tela branca de formato anamórfico no fundo de um buraco. Em uma tentativa de apagar e enterrar a projeção, pinto o quadro com carvão preto triturado, que retém para si boa parte da luz, apagando parcialmente a aparição do corpo da felina. Ao tensionar carvão/luz, tento incorporar na obra o tempo, remetendo a algo que acontece e está acontecendo, a causa e efeito, em uma relação de performance. Aqui, o projetor não está escondido, mais que isso, ele é evidenciado, suportado por três pernas de ferro, no topo da pirâmide, constituindo assim, com o buraco, um circuito de filmagem/projeção, aparição de corpo e materialização de túmulo. O vídeo é devolvido para o buraco durante a exposição do trabalho, tornando a cova mais funda.
Buraco Branco foi gravado em uma trilha ecológica por onde passam ciclistas, pedestres, mas também grileiros, que erguem suas casas da noite para o dia. O buraco cavado para a gravação do vídeo permaneceu ali para ser reativado em um mês na primeira experiência de apresentar obras do projeto Pirâmide, Urubu no formato de trilha noturna, na ocasião da defesa da dissertação em 2016. Ao retornar ao local poucos dias antes do evento, o buraco estava fechado e a caixa de parafina utilizada para gravar o vídeo Corpo, Continente estava no fundo, debaixo de toda a terra. Uma casa nova foi erguida a poucos metros e o morador me disse que ele mesmo fechou o buraco. Disse que quando viu que cabia um corpo humano, teve certeza que era para “desovar” alguém. Mas quando viu a caixa cheia de parafina mudou de ideia, teve certeza que era “despacho de macumba”, então fez questão de “desfazer logo aquela amarração”.

In Buraco Branco (White Hole), I project a picture of Leni the cat on an anamorphic white canvas at the bottom of a hole. In an attempt to erase and bury the projection, I paint the canvas with crushed black charcoal, which holds back much of the light, partially erasing the appearance of the feline’s body. By forcing coal/light together, I try to incorporate time into the work, referring to something that happens and that is happening, the cause and effect, in a performance situation. Here the projector is not hidden, but it is highlighted, supported by three iron legs, at the top of the pyramid, creating, with the hole, a filming/projection circuit, body apparition and tomb materialization. The video is returned to the hole during the work presentation, making the pit even deeper.
Buraco Branco (White Hole) was recorded at an ecological trail through which cyclists, walkers, but also land grabbers pass by — those who raise their houses overnight. The hole dug for the video shooting remained there to be reactivated within a month, in the first experience of presenting works from the Pyramid, Urubu project, in the form of a night tour for the essay presentation in 2016. Upon returning to the place a few days before the event, the hole was closed and the paraffin box used to record the video Corpo, continente (Body, Continent) was at the bottom, under the earth. A new house had been built a few meters away and the resident told me that he had closed the hole himself. He said that when he saw that the hole was the size of a human body, he was sure it was to “get rid” of someone. But when he saw the box full of paraffin, he changed his mind, and decided it was obviously “witchcraft”, so he made sure to “undo that witchery”.

fotos: Janine Moraes e Flora Egécia

Maurício Chades é artista visual e cineasta piauiense. Mestre em Arte e Tecnologia e Bacharel em Audiovisual pela UnB, cursa um MFA na SAIC School of the Art Institute of Chicago, no departamento Film, Video, New Media and Animation. Os ecos entre tecnologias antigas e novas; o fluxo de matéria, orgânica, não orgânica e digital; rituais de morte, geometria espectral, ficção especulativa e tensões espaciais são temas que orbitam seu trabalho. Participou de exposições coletivas e exibiu filmes e vídeos em festivais nacionais e internacionais, como: Mostra do Filme Livre, Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, RECIFEST, Jornada Internacional de Cinema da Bahia, FILE Electronic Language International Festival, Besides the Screen, Pune Film Festival, Bogotá Experimental e Sphere World Cinema Carnival. Em 2019 apresentou sua primeira exibição solo, Pirâmide, Urubu, na Torre de TV Digital de Brasília.

foto: Silvino Mendonça

Maurício Chades is a visual artist and filmmaker from the Brazilian Northeast. He holds a Master’s Degree in Art and Technology and a Bachelor’s Degree in Audiovisual, both from the University of Brasilia (UnB). He is currently pursuing a MFA at the SAIC School of the Art Institute of Chicago, in the Film, Video, New Media and Animation department. The echoes between old and new technologies; the flow of matter, organic, non-organic and digital; death rituals, spectral geometry, speculative fiction, and spatial tensions are some themes of his work. He participated in group art exhibitions and exhibited films and videos in Brazilian and international festivals, such as: Mostra do Filme Livre, Brasília Festival of Brazilian Cinema, RECIFEST, International Cinema Journey of Bahia, FILE Electronic Language International Festival, Besides the Screen, Pune Film Festival, Bogotá Experimental and Sphere World Cinema Carnival. In 2019 he presented his first solo exhibition, Pirâmide, Urubu, at the Digital TV Tower in Brasília.

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